Teste da orelhinha: essencial para a cura da surdez

Teste da orelhinha: essencial para a cura da surdez

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Teste da Orelhinha: O desenvolvimento auditivo se inicia na vida intrauterina e se completa por volta dos dois anos de idade, segue etapas graduais de complexidade. Inicialmente, a criança começa a detectar o som, aprende a localizar de onde ele vem e aprende a discriminar, memorizar e reconhecer os sons.
É importante que o desenvolvimento se inicie rápido e seja continuo, para que o sistema auditivo se desenvolva por completo. Por outro lado, existe a plasticidade neural, a capacidade dos neurônios do cérebro de fazer conexões nervosas quando estimuladas.
Quando o som está presente, o cérebro se desenvolve de forma a aceitar e a compreender os sons. Quando o som está ausente, o cérebro se desenvolverá de outra forma e será difícil o paciente se acostumar a ouvir mais tarde. Por isso, a surdez congênita (quando a pessoa nasce surda) tem cura desde que o tratamento se inicie rapidamente. Quando há demora no diagnóstico, dependendo da demora, pode ser que nunca mais o indivíduo consiga ser completamente tratado. O ideal é que tenhamos o diagnóstico auditivo completamente estabelecido até os 3 a 6 meses de idade (quanto antes melhor).
Muitas são as causas de perda auditiva na infância, como já comentei em outros posts aqui no nosso site ( “surdez tem cura”), mas independente da causa da perda auditiva, temos alternativas de tratamento para praticamente todos os casos. Como também já vimos antes, para que o tratamento seja eficaz devemos inicia-lo o quanto antes.
Devido a isso, desenvolvemos formas de avaliar a audição de crianças de todas as idades, inclusive e especialmente as recém-nascidas. Temos dois exames principais: o teste da orelhinha (emissões otoacústicas evocadas) e o BERA.
O teste da orelhinha é um exame simples e rápido, indolor, que pode ser feito na maternidade um ou dois dias após o nascimento do bebê. Esse exame é feito colocando-se uma pequena sonda na orelha da criança. A sonda envia rapidamente estímulos sonoros ao ouvido do paciente e, o ouvido, se estiver saudável, responde os estímulos sonoros com outros sons bem sutis que a sonda consegue captar. Por isso o nome “emissões otoacústicas” (sons emitidos pelo próprio ouvido) “evocadas” (provocadas por um estímulo externo). É um exame de grande sensibilidade, ou seja, é difícil dar normal quando a criança é surda, mas também é um exame com menor especificidade, ou seja, pode dar alterado em algumas crianças que são normais. Sendo assim, usamos o teste da orelhinha como um teste de triagem. Fazemos em todas as crianças quando nascem, ainda na maternidade, para separar quem deverá ser ou não avaliado por outro exame mais fidedigno, o BERA.
O ideal seria fazer o BERA em todas as crianças, mas como ele é mais caro e pode ser demorado, fazemos apenas em crianças que não passam no teste da orelhinha ou em crianças que têm um risco maior de surdez, como crianças que nasceram pré-maturas, que tiveram de tomar antibióticos fortes, que tiveram falta de oxigenação ao nascimento, que tiveram infecções neonatais, etc.
O BERA é praticamente uma audiometria que não depende da resposta do paciente para ser feita. Na audiometria convencional, o adulto coloca um fone de ouvido e começa a ouvir sons cada vez mais baixos. Ele deve levantar a mão toda a vez que ouvir sons, até que não esteja mais escutando e, a partir daí, sabemos qual é o limiar auditivo desta pessoa.
No caso do BERA, ao invés do bebê levantar a mão ao ouvir os sons, vamos captar uma resposta neural através de eletrodos enquanto ele estiver ouvindo. Colocamos um eletrodo na testa e um atrás da orelha do paciente e um fone de ouvido. Quando ele ouvir, os eletrodos vão mostrar um padrão de formação de “ondas” nos exames. São 5 ondas. Quando abaixamos o som, as ondas vão desaparecendo, até que só sobra a onda 5. Quando a onda 5 desaparece, significa que a criança não está ouvindo mais. Desta forma, podemos saber exatamente o quanto a criança ouve.

Figura 1 – BERA normal

teste orelhinha

Figura 2 – BERA alterado

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Os eletrodos do BERA são muito sensíveis, então qualquer movimentação muscular do paciente pode dar interferência nas respostas. Quando a criança já está com mais idade, por vezes será difícil fazer com que ela fique cerca de 30 minutos sem se mexer, então teremos de fazer uma pequena sedação para fazer o exame.
A triagem auditiva neonatal é simples e tranquila e deve ser feita em todas as crianças, sem exceções. Os protocolos seguidos pelos hospitais são diferentes (às vezes fazem o exame no primeiro dia, às vezes no segundo, às vezes repetem no décimo quinto, às vezes em 1 semana), mas o importante é que nenhuma criança deixe de ser examinada. Quando se diagnostica uma surdez no BERA, a criança deve ser encaminhada para um médico otorrinolaringologista para ser avaliada e tratada.
Se seu bebê não fez o teste da orelhinha, procure um médico otorrino ou um serviço fonoaudiológico de diagnóstico auditivo assim que possível. Se seu filho(a) falhou na triagem auditiva, não se preocupe, surdez tem cura. Você deve procurar um médico otorrino o quanto antes.

Em caso de dúvida, consulte um especialista.

“As informações aqui colocadas são de caráter informativo. Cada paciente possui suas particularidades e deve ser avaliado e tratado de forma individualizada. Se você tem algum problema de saúde, procure um médico especialista.”

Dr. Henrique Gobbo
CRM – 117688 SP