Respiração Bucal: Você também respira pela boca?

Respiração Bucal: Você também respira pela boca?

respiração bucal

“Síndrome do respirador bucal”: é assim que nós médicos dizemos quando vemos pacientes adultos ou crianças que respiram pela boca. Ocorre praticamente por dois fatores: nariz entupido ou hábito e postura de ficar com a boca aberta. No Brasil, dados sobre a prevalência desse problema são muito escassos.

Há trabalhos que mostram que a respiração pela boca está presente entre 25 a 50% das crianças entre 8 a 10 anos (bastante gente!), sendo causada principalmente por rinite (81,4%), aumento das amígdalas (12,6%) e desvio de septo nasal (1%). Os principais sintomas da respiração bucal são roncos, sono agitado, salivação durante a noite, nariz entupido e irritabilidade durante o dia. Pode também ocorrer um ressecamento da garganta durante a noite e aparecimento de faringites de repetição.

As causas de respiração bucal são àquelas do nariz entupido: aumento de adenoides, desvio de septo, aumento das conchas nasais secundário a rinites e sinusites. Em crianças, outras causas importantes de respiração bucal são: chupeta por período prolongado (ou chupar dedo) e aumento de tamanho das amígdalas. As amígdalas podem estar grandes a ponto de atrapalhar a espiração, e a criança terá de abrir a boca e rebaixar a língua para ter melhor passagem de ar. Em relação à chupeta, existe uma controvérsia grande entre os médicos sobre se a criança deve ou não usar chupeta e até qual idade. Temos evidências de que o uso de chupetas pode atrapalhar o aleitamento materno, pode causar infecções de vias aéreas e pode levar à respiração bucal no futuro. A maioria dos médicos recomenda a chupeta a até no máximo 2 ou 3 anos de idade, mas não há consenso.

A falta de respiração nasal em crianças pode resultar em um desenvolvimento facial diferente. Sessenta por cento do crescimento da face ocorre nos primeiros quatro anos de vida e noventa por cento até os 12 anos de vida. Com a boca constantemente aberta, existe uma tendência do corpo se adaptar e aumentar a cavidade oral e diminuir a cavidade nasal. O palato (o céu da boca) vai ficando cada fez mais alto e os dentes também vão ficando mais abertos. O lábio inferior fica evertido para baixo e o philtrum nasal (distância entre o nariz e o lábio superior) fica diminuído. Pode haver também uma hipotonia da musculatura da face. Com o crescimento, há efetivamente uma remodelação óssea e a criança respiradora bucal poderá ser um adulto com a maxila pouco desenvolvida e com mandíbula desarmônica.

A criança respiradora bucal pode ter dificuldades em alimentar-se, distúrbios de sono (roncos, apnéia, sono agitado, enurese noturna) e infecções de vias aéreas de repetição. Existem estudos que relacionam a respiração bucal na criança a baixo peso e baixa estatura. O respirador bucal adulto poderá ter problemas relacionados ao sono (roncos e apnéia), maior incidência de problemas pulmonares, dificuldades em fazer atividades físicas, maior incidência de infecções de garganta, mau hálito, alterações dentárias importantes (mordida aberta e cruzada), entre outros.

Sendo assim, a respiração bucal deve ser tratada o quanto antes. A maioria das causas de respiração bucal nas crianças e nos adultos tem tratamento simples e seguro.

“As informações aqui colocadas são de caráter informativo. Cada paciente possui suas particularidades e deve ser avaliado e tratado de forma individualizada. Se você tem algum problema de saúde, procure um médico especialista.”

Dr. Henrique Gobbo
CRM – 117688 SP