Processamento Auditivo Central e o desenvolvimento da criança

Processamento Auditivo Central e o desenvolvimento da criança

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Processamento Auditivo Central: Recentemente, notamos uma preocupação crescente das escolas com o desenvolvimento da comunicação dos seus alunos. Observamos uma demanda cada vez maior de exames específicos para teste da saúde auditiva das crianças. Notamos também um aumento da preocupação das mães em relação a isso. Afinal, será que as escolas estão exagerando? Será que precisa mesmo disso? Não estamos muito exigentes em relação às crianças?

Na verdade, o encaminhamento das crianças em idade escolar para testes específicos, em grande parte, se justifica. Os testes são rápidos, indolores, de baixo custo e com grande eficácia. Além disso, os problemas relacionados a audição e ao processamento auditivo são tratáveis e, quanto mais rápido o tratamento se iniciar, melhor será o resultado.

Para que o indivíduo entenda o som, ele deve ter duas coisas: 1- audição normal e 2- processamento auditivo central normal. A audição acontece no ouvido e o processamento auditivo acontece no cérebro. Para que a audição ocorra normalmente, o ouvido deve estar normal, sem problemas de otites, catarro nos ouvidos, cera nos ouvidos ou qualquer outra condição que cause qualquer grau de surdez. Estando tudo normal com os ouvidos, a cóclea vai transformar os sons em impulso elétrico para o nervo auditivo. A partir daí, começa o que chamamos de processamento auditivo central, um processo no qual o sistema nervoso central recebe os estímulos auditivos e dá o significado a ele. Neste processo, a pessoa entende o que ouviu.

Agora vamos pensar em uma criança apresentando problemas de desempenho escolar, na fala, na escrita ou na aquisição de conteúdo. Ela pode ter problemas de audição (não escuta), pode ter problemas de processamento auditivo central (escuta, mas não entende) ou pode ter outro problema não relacionado à audição (escuta e entende). Para cada uma destas 3 situações, nós médicos podemos ajudar. Logo, é interessante examinar as crianças.

Mais objetivamente falando, vou listar em que situações o exame de processamento auditivo central está formalmente indicado. Lembrando que a audição sempre tem que ser testada antes e deve estar normal.

  • Atenção prejudicada
  • Dificuldade de percepção sonora
  • Dificuldade de escuta e/ou compreensão do som em ambientes ruidosos
  • Alteração de fala, escuta ou escrita
  • Dificuldade de localização da fonte sonora
  • Problemas de memória auditiva ou solicitação frequente de repetição

Já falamos sobre a triagem auditiva em outros posts. Neste post, vou focar no exame de processamento auditivo central.

Como já disse, o exame de processamento auditivo central é um exame realizado para testar se o paciente tem uma boa compreensão do som. Logo, o exame só deverá ser realizado se a audição do paciente estiver normal. Começamos com exame audiométrico e de impedancimetria. Se estiverem alterados, vamos tratar o problema. Uma vez que estejam normais, vamos fazer o exame de processamento auditivo central propriamente dito.

Para que esse processo de compreensão da fala ocorra, são necessárias algumas habilidades comportamentais: detecção da fala, localização e lateralização sonora, discriminação auditiva, reconhecimento de padrões auditivos, aspectos temporais da audição, identificação de sons na presença de ruídos competitivos, identificação de sons distorcidos, identificação de sons em intensidades diferentes, entre outros. Algumas dessas habilidades podem ser testadas separadamente. Uma vez diagnosticada uma desordem em uma dessas habilidades, podemos propor uma terapia fonoaudiológica direcionada, com melhores resultados.

Apesar de ser bem mais comum em crianças, adultos também podem apresentar déficit de processamento auditivo central. A investigação também pode ser feita em adultos, em casos específicos.

Como é feito o exame:

Parte do exame de processamento auditivo propriamente dito é feito em cabine com fones de ouvido, como em um exame de audiometria convencional e outra parte é feita sem os fones. Nesta parte do exame, a fonoaudióloga usará estímulos auditivos diferentes e o paciente deverá identificá-los. Existem estímulos que poderão ser palavras, onomatopeias, frases ou outros, dependendo da idade do paciente. Os estímulos também poderão ser monóticos (tocado em uma orelha de cada vez) ou dicóticos (dois sons tocados simultaneamente, na mesma orelha ou nas duas orelhas).

A fonoaudióloga poderá usar testes diferentes dependendo da idade do paciente. Descreverei rapidamente os principais testes realizados com fones de ouvido. No teste de fala com ruído a criança escuta palavras em meio a um ruído constante e deve identificá-las. No teste de palavras com mensagem competitiva, a criança deve identificar palavras específicas junto a uma história contada. Em adultos, esse mesmo teste é feito com frases que devem ser reconhecidas em meio a uma história mais complexa. No teste de fala filtrada, o individuo deve reconhecer palavras distorcidas. No teste dicótico com sons competitivos, o paciente escuta sons simultaneamente nas duas orelhas e deve identifica-los. No teste dicótico consoante-vogal, o paciente escuta sílabas que se combinam. No teste de fusão binaural, são usadas palavras distorcidas tocadas simultaneamente nas duas orelhas.

Sem fones de ouvido, os principais testes são de localização de fonte sonora e de memória auditiva.

Concluindo, o exame de processamento auditivo central é tranquilo de ser feito, não é doloroso nem desconfortável à criança, testa uma ampla gama de habilidades da linguagem, tem grande eficácia, é de baixo custo e deve ser feito em casos quando há qualquer dúvida em relação ao desempenho escolar da criança. O exame também pode ser feito apenas como triagem, para se detectar alguma dificuldade da criança antes que ela piore. Se o exame foi solicitado ao seu(sua) filho(a), não se preocupe, provavelmente é mesmo o melhor a fazer. Qualquer dúvida, procure um médico otorrinolaringologista ou uma fonoaudióloga de sua confiança.

“As informações aqui colocadas são de caráter informativo. Cada paciente possui suas particularidades e deve ser avaliado e tratado de forma individualizada. Se você tem algum problema de saúde, procure um médico especialista.”

Dr. Henrique Gobbo
CRM – 117688 SP