Mau hálito ou halitose: entenda suas causas e como tratá-las

Mau hálito ou halitose: entenda suas causas e como tratá-las

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O mau hálito ou halitose, ocorre quando há liberação de odores desagradáveis pela boca ou por outras cavidades aéreas como nariz, seios da face ou garganta. É uma queixa corriqueira entre adultos de ambos os sexos em todo o mundo. As causas são diversas, sendo que as mais comuns estão relacionadas à presença de bactérias nas cavidades respiratórias, principalmente bactérias do tipo “anaeróbias”. Essas bactérias decompõem material orgânico em um processo anaeróbio, que produz gás.

O mau hálito parece estar presente na população há muitos anos. Registros do antigo testamento mostram que já naquela época havia a sua presença. “O mau hálito é intolerável à minha mulher…” lamentava-se Jó (19:17). Os primeiros estudos sobre o mau hálito datam de 1874, e desde então é reconhecido como uma entidade clínica. Hoje, é sem dúvida um grande problema social, o que faz com que o comércio de cremes dentais, enxaguantes bucais e outros produtos afins movimentem milhões de dólares todos os anos.

Pela manhã, temos um mau hálito fisiológico, ou seja, normal. Durante o sono, há uma redução da produção de saliva e uma leve hipoglicemia, o que aumenta a concentração das bactérias anaeróbias na boca. Após a higiene matinal convencional e o desjejum, normalmente esse mau hálito melhora.

Em situações nas quais o mau hálito persiste apesar da higiene bucal e mesmo sem alimentos sabidamente ruins para o hálito, temos um quadro que chamamos de “halitose patológica”. Nestes casos, o problema é originário da boca em 80 a 90% dos casos. Gengivites, periodontites, glossites e saburra lingual estão entre as causas mais comuns e podem estar relacionadas a má higiene bucal, alimentos específicos e hábitos como tabagismo e etilismo. Outra possibilidade é a presença de pequenos buracos nas amígdalas, que chamamos de criptas. Amígdalas com muitas criptas podem reter restos de alimentos, que ficarão sobre a ação das enzimas da saliva e sobre a ação da flora bacteriana da boca e formarão os caseos. Caseos são bolinhas branquinhas ou amarelinhas que ficam nas amígdalas e que têm um cheiro e um gosto muito ruins.

Amigdalites e faringites agudas também são causas comuns de mau hálito, mas nesses casos mais relacionados ao momento da infecção, com tendência de melhora após tratamento. Existem casos de amigdalites subagudas ou crônicas, nos quais as amígdalas parecem estar quase sempre infeccionadas, com dor e incômodo crônico e mau hálito mais constante.

Mas não é apenas o aumento de bactérias que pode levar a halitose. Algumas situações propiciam o aumento de fungos na boca, o que também pode provocar odor ruim. Imunidade baixa, uso de corticoides, de antibióticos, quimioterapia, radioterapia, doenças infecciosas virais crônicas e demais situações que impliquem em queda da imunidade do indivíduo podem proporcionar um ambiente bucal favorável ao aparecimento da candidíase oral, conhecida popularmente como “sapinho”, na qual o dorso da língua fica com uma camada esbranquiçada espessa (não confundir com a saburra lingual normal). O aroma tende a ser um pouco mais adocicado.

Como já comentei, a diminuição da salivação aumenta o mau hálito. Isso ocorre durante à noite, mas também pode ser um quadro constante em casos de desidratação, respiração bucal, uso de medicamentos diuréticos, antidepressivos ou anti-alérgicos, radioterapia e algumas doenças reumatológicas.

Causas não orais de halitose geralmente estão associadas a refluxo gastroesofágico e refluxo faringolaríngeo, alterações pulmonares como bronquiectasias, infecções, abcessos ou tumores,  sinusites agudas e crônicas e uso de algumas medicações, principalmente alguns antibióticos.

O mau hálito pode ser investigado e tratado, muitas vezes de forma fácil e rápida. Se você estiver com esse problema, procure um médico otorrinolaringologista.

Em caso de dúvida, consulte um especialista.

“As informações aqui colocadas são de caráter informativo. Cada paciente possui suas particularidades e deve ser avaliado e tratado de forma individualizada. Se você tem algum problema de saúde, procure um médico especialista.”

Dr. Henrique Gobbo
CRM – 117688 SP