Malformação de Orelhas ou Microtia – por que acontece?

Malformação de Orelhas ou Microtia – por que acontece?

Malformação de orelhas

Malformação de Orelhas: Aproximadamente uma a cada 20000 pessoas tem uma deformidade congênita em uma ou nas duas orelhas. Chamamos essas deformidades de malformação de orelha, ouvido congênito ou microtia. Elas variam de pequenas alterações estéticas na orelha externa (pavilhão auditivo) até ausência de orelha externa e fechamento do conduto auditivo junto a ausência das estruturas normais de dentro do ouvido (tímpano e ossículos). É um espectro bem amplo de alterações que podem aparecer durante a gestação.

Ao final do sexto mês de gestação, o pavilhão auricular primitivo já deve estar completado. O conduto auditivo desenvolve-se até o sétimo mês e, posteriormente haverá um desenvolvimento que posiciona corretamente essas estruturas. Os ossículos do ouvido (martelo, bigorna e estribo) atingem sua forma final por volta do quarto mês e sua posição normal ao final do sétimo/ oitavo mês. Sendo assim, as malformações de orelha podem variar bastante dependendo da fase em que o desenvolvimento intra-uterino foi interrompido ou alterado.

Mas por que essas malformações ocorrem? É uma pergunta que qualquer médico otorrino ou geneticista têm dificuldade de responder pois a resposta ainda não é clara. Os estudos mostram que há um fator genético e um fator ambiental envolvido. Existem casos genéticos claros, como em crianças com Síndrome de TreacherCollins e, existem casos ambientais claros, como em mães que fizeram uso de talidomida, mas também existem diversos casos nos quais são se consegue isolar um fator único. A criança simplesmente nasce com a orelha malformada, sem nenhum antecedente familiar genético e sem a mãe ter feito uso de nenhuma medicação específica, numa gestação normal e sem intercorrências.

Seja qual for a causa, a malformação de orelha ou microtia têm tratamento.

Podemos dividir os problemas relacionados com a microtia em estético e funcional. O problema estético vem da aparência malformada do pavilhão auditivo e o problema funcional vem da surdez normalmente presente nestes casos.

A questão estética pode ser solucionada com uma reconstrução cirúrgica do pavilhão auditivo ou com a colocação de próteses de orelha. A reconstrução cirúrgica pode ser feita com material autógeno (do próprio corpo) ou exógeno (material que não do próprio corpo) e a prótese de orelha pode ser fixada no crânio através de parafusos osteo-integrados.

Em relação à reconstrução cirúrgica, como material autógeno normalmente usa-se cartilagem retirada da costela do paciente. Essa cirurgia é feita a partir de uma certa idade e retira-se parte da cartilagem costal do paciente, modela-se uma nova orelha e coloca-se a orelha nova por baixo da pele na região normal. Como material exógeno, existem implantes com o formato desejado que podem ser colocados sob a pele, como por exemplo o Medpor. Existem diferenças conceituais e práticas entre esses dois implantes. A cirurgia de implantação e os custos diferem. Existem no Brasil médicos cirurgiões plásticos muito experientes e com bons resultados que orientar sobre as diferenças entre tipos de cirurgia.

malformação de orelhas

A surdez que acontece em casos de microtia pode ser tratada em praticamente todos os casos, salvo malformações muito grande que peguem também os nervos auditivos. O diagnóstico de surdez pode ser feito ainda nos primeiros meses de vida através de exames específicos como o BERA. O BERA é uma audiometria na qual o paciente não precisa nos informar se está ouvindo para sabermos qual o limiar auditivo. Ao invés da sinalização do paciente, usamos eletrodos no crânio que captam o impulso elétrico no nervo auditivo. Vamos abaixando o som até que esse impulso desapareça e então saberemos qual o limiar mínimo auditivo da criança. Crianças com mal formação de orelhas devem fazer exame de BERA “por via aérea e por voa óssea”. Nem todos os aparelhos de BERA têm exames por via óssea, mas para os casos de microtia a via óssea é necessária.

Quando há realmente surdez, a indicação é tratamento com próteses auditivas ancoradas ao osso. Antigamente se fazia cirurgia para reconstrução da parte interna da orelha. Se construía um novo conduto auditivo, uma nova cadeia ossicular e um novo tímpano e colocava-se tudo isso na melhor posição possível. Infelizmente, os resultados eram muito ruins, com quase 100% dos casos ainda precisando de aparelhos auditivos após a cirurgia. Essa cirurgia também era perigosa, difícil, com risco de lesão do nervo facial (nervo responsável pela movimentação da face). Já o tratamento moderno com próteses auditivas ósteo-acoradas é muito eficaz e seguro. Na maioria dos casos, essas próteses recuperam 100% da audição dos pacientes.

Quando o paciente ainda está nos primeiros meses de vida, usamos essas próteses vibratórias em faixinhas, ou softbands. Mais tarde, a partir de cerca de 5 anos de idade, podemos realizar a cirurgia de fixação do aparelho no crânio. Os principais aparelhos que corrigem a audição em pacientes com microtia são o BoneBridge, o BAHA e o PONTO. Para saber mais sobre essas próteses auditivas, você pode acessar o link : https://clinicagobbo.com/implantes-auditivos-e-proteses-auditivas/ .

Se você ou seu filho ou filha tem malformação de ouvidos, saiba que tanto a estética quanto a surdez têm tratamento na maioria dos casos.  Procure um médico otorrinolaringologista e um cirurgião plástico.

“As informações aqui colocadas são de caráter informativo. Cada paciente possui suas particularidades e deve ser avaliado e tratado de forma individualizada. Se você tem algum problema de saúde, procure um médico especialista.”

Dr. Henrique Gobbo
CRM – 117688 SP