Amígdalas, ter ou não ter?

Amígdalas, ter ou não ter?

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Amígdalas são órgãos importantes que ajudam muito na imunidade das pessoas, principalmente na infância. Dessa forma, devemos sempre tentar preservá-las. O problema é que, às vezes, elas ficam doentes e não melhoram com medicações.

Vamos entender:

Existem indicações específicas para se retirar as amígdalas, ou seja, situações nas quais retirá-las é o melhor a fazer. Quais são elas? Primeiramente, o aumento demasiado do tamanho das amígdalas (às vezes junto ao aumento do tamanho da adenoide). Ninguém sabe com certeza o por quê das amígdalas aumentarem tanto em algumas pessoas. Médicos pesquisadores acham que o problema pode estar relacionado com alguma infecção viral mais forte, com bactérias que se alojam nas amígdalas e não saem com os antibióticos tradicionais; com alguns fatores genéticos, alergias, poluição ambiental e até refluxo gastroesofágico. Alguns desses médicos acreditam que o aumento de tamanho pode estar relacionado a um mal funcionamento das amígdalas.
Quando as amígdalas estão grandes demais elas podem causar roncos, apneia do sono, respiração bucal, alterações crânio-faciais (devido a boca ficar aberta o tempo todo, a face da criança muda, a mandíbula fica mais retraída e o céu da boca mais alto), distúrbios de deglutição (dificuldade de engolir alimentos sólidos, dando preferência a líquidos e pastosos), baixo peso e estatura, diminuição do olfato e até alterações comportamentais (como a criança dorme mal, pode ficar mito agitada durante o dia). Nestes casos, quando não há melhora com tratamentos medicamentosos, tirar as amígdalas pode ser a melhor opção.
Outra situação na qual a cirurgia pode ser a melhor opção é quando o paciente apresenta amigdalites de repetição. Por que a preocupação com as amigdalites de repetição? Por causa de uma bactéria específica que causa cerca de 20% das infecções de amígdala, o Sptreptococus pyogenes beta-hemolítico do grupo A. Infecções por Streptococus podem causar toxicidade sistêmica muito grande e alta transmissibilidade entre pessoas (através das gotículas de saliva), além de estarem associadas a possibilidade do que chamamos de “complicações” de amigdalites. Complicações são casos nos quais a infecção piora e evolui para algo mais grave, como abcessos amigdalianos (quando o pus fica preso na musculatura do pescoço), febre reumática (quando os anticorpos criados contra essa bactéria atacam acidentalmente o coração do paciente), glomerulonefrite aguda (problema renal causado pela filtração do sangue com toxinas), escarlatina (toxicidade sanguínea causada pela morte de bactérias) e infecções invasivas (que se estendem para além das amígdalas).

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Atualmente, os antibióticos mais eficazes têm diminuído as complicações das amigdalites streptococicas, mas em casos de muitas infecções ainda é melhor retirar as amígdalas e evitar maiores riscos. O que consideramos “muitas infecções”? Essa é uma resposta que vai da experiência de cada médico. Alguns médicos pesquisadores propõem o uso dos seguintes parâmetros limite: sete amigdalites em 1 ano, cinco em 2 anos consecutivos ou três em 3 anos consecutivos. Outros colegas preferem o limite de 4 infecções em 6 meses ou 6 em um ano.
Existem também as amigdalites crônicas, que caracterizam por dor de garganta por mais de 3 meses com pouca melhora com medicação.  Médicos ainda estudam esse problema, então, há muita controvérsia sobre esse tema, mas acreditamos que a amigdalite crônica está relacionada à infiltração de bactérias resistentes nas amígdalas. Nestes casos a cirurgia está bem indicada. Existem evidências de que a remoção das amígdalas cronicamente doentes podem melhorar a imunidade das crianças.
Uma última indicação de cirurgia que vale a pena comentar é a presença de caseos. Caseos são pequenas bolinhas brancas ou amareladas que se formam em algumas amígdalas e são difíceis de remover. Podem causar mal hálito e infecções. Os caseos nada mais são que acúmulo de sujeira nas criptas (buraquinhos) das amígdalas. É a indicação mais relativa das aqui comentadas, mas não há outra alternativa. Não há remédios que tratem caseos. Nestes casos ou não se faz nada ou removemos as amígdalas, vai depender do quanto isso está comprometendo a qualidade de vida do paciente.

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Em caso de dúvida, consulte um especialista.

“As informações aqui colocadas são de caráter informativo. Cada paciente possui suas particularidades e deve ser avaliado e tratado de forma individualizada. Se você tem algum problema de saúde, procure um médico especialista.”

Dr. Henrique Gobbo

CRM – 117688 SP