Gripe H1N1 ainda é perigosa?

Gripe H1N1 ainda é perigosa?

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Gripe H1N1: Em abril de 2009, um tipo de gripe que se observava anteriormente apenas em porcos causou uma grande pandemia. Naquele ano no Brasil, cerca de 58 mil pessoas tiveram essa doença e cerca de 2100 pessoas morreram em decorrência dela. Hoje, passados 9 anos, será que a gripe suína ainda é um problema?

Primeiramente, acho importante explicar o que é a gripe. A gripe é uma doença causada por um vírus chamado vírus influenza. Esse vírus passa de pessoa para pessoa através de gotículas de saliva e têm uma chance grande de causar doença. O paciente transmite a doença após 24 hs a 7 dias do contágio. A doença normalmente cursa com mal-estar geral, febre, dores de cabeça e dores pelo corpo, tosse, calafrios, cansaço. A gripe comum melhora sozinha sem a necessidade de medicações na maioria das vezes.

Então, qual a diferença entre gripe H1N1 e gripe comum?

Na verdade, o vírus influenza possui diversos subtipos. Entre eles, existe o tipo A H1N1. Em 2009, uma estirpe de vírus H1N1 de origem suína foi a responsável pela pandemia daquele ano, por isso inicialmente foi usado o nome “gripe suína”. Esse nome logo foi abandonado porque não existem evidências de que ela seja endêmica em porcos (ou seja, uma gripe de porcos) nem de que o vírus tenha sido transmitido dos porcos para as pessoas.  Na verdade, é possível que já tenha havido outros surtos de outros tipos de vírus H1N1 na história recente da humanidade, como parece ter sido o caso da gripe espanhola. O vírus influenza possui uma capacidade de fazer mutações espontâneas, e assim se tornar mais agressivo de tempos em tempos.

Apesar de ter um quadro clínico similar às demais gripes, a H1N1 tem uma disposição maior a causar complicações pulmonares. Existe um grupo de risco que deve ter mais cuidado com a gripe H1N1 devido ao risco de infecção grave, a saber: idosos, gestantes, parturientes, crianças pequenas, portadores de doenças crônicas e profissionais da saúde.

O tratamento da gripe é com medidas de suporte mais uso de medicações especificas a depender do caso, como antibióticos e antivirais (Tamiflu). Mas a melhor forma de combater a gripe H1N1 é através da vacinação. Em 2009 houve um clamor público pelo desenvolvimento de uma vacina que imunizasse para a gripe tipo A. Tivemos uma corrida para que a vacina fosse finalmente desenvolvida e desde então observamos uma queda dos casos de H1N1 na população. Mas ele ainda continua a ser um vírus perigoso sim, principalmente para quem ainda não se vacinou.

Mesmo após toda essa história que passamos, ainda me deparo com gente no consultório dizendo ser contra a vacina por ter medo de doenças neurológicas ou de ficar doente. Já escrevi um texto sobre a importância da vacina no qual mostro que esses medos são infundados. Mas me espanta que alguns de nós tenhamos esquecido da onda de medo que tomou o mundo em 2009 e 2010 e o alívio que tivemos quando a vacina finalmente chegou.

A doença é transmitida pelo contato interpessoal através de gotículas de saliva. Então lave sempre as mãos com água e sabão, evite de levar as mãos à boca ou aos olhos, use álcool gel nas mãos quando não puder lavar, não compartilhe objetos de uso pessoal (copos, talheres toalhas, etc), evite o contato com alguém doente, mantenha hábitos saudáveis, tome bastante água, evite locais fechados com muita gente em épocas de surto e, principalmente, vacine-se!!

“As informações aqui colocadas são de caráter informativo. Cada paciente possui suas particularidades e deve ser avaliado e tratado de forma individualizada. Se você tem algum problema de saúde, procure um médico especialista.”

Dr. Henrique Gobbo
CRM – 117688 SP